Sucaty é o meu carro. O meu primeiro carro, um Fiat Uno 45s de 1989 que me foi oferecido por um tio que quis deixar de conduzir, dada a sua avançada idade. No entanto ofereceu-me o Sucaty com um sorriso nos lábios, a esconder uma certa tristeza de se desfazer de algo que o acompanhou durante 16 anos! Eu aceitei, embora algo reticente, e agora tenho um imenso orgulho em tê-lo como minha viatura, habitualmente para as esplanadas de Leça e Matosinhos, quando muito Penafiel, mas não deixando por isso, de ser A Minha Viatura.
Apesar dos seus 19 anos e da sua modéstia cilindrada associada á ligeira ferrugem que se apoderou duma parte insignificante da chapa, o Sucaty parece causar inquietação a muita gente que insiste que eu me desfaça do carro porque não passa dum "chaço" e vai acabar por me deixar ficar mal numa qualquer avaria no meio da estrada bla bla bla. Ouço estas bacoradas com algum desprezo e mantenho o maior dos orgulhos no meu "chaço", que me tem levado sempre onde quero, raramente a mais de 100 kmm/h mas orgulhosamente consumindo 6 litros aos 100 km. Fielmente, de vidro aberto (apenas um, o único que abre), com algum fumo (enquanto não aquece) ao som da música roufenha que provém da única coluna que funciona, alimentada pelo seu rádio "punto azul", o Suacty segue em frente, ostentando a sua beleza intrinseca, e parte da personalidade do seu proprietário.
"Unimpressed by material excess, Love is free! Love me say hell Yeah!!" By Anthony Kiedis
1 comentário:
Desde o triste destronar de El COche Magnifico, este é sem duvida o monte de parafusos ferrugentos mais enigmatico que tive o prazer de fazer arrastar até david fonseca.
Faço minhas as palavras do fiel lavrador em "Um porquinho chamado Babe"
"that'll do pig....that'll do"
Allez sucaty, longa vida á sua bateria, e que nunca se lhe entupa o radiador.
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